quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Dor
Eu tenho dor. E o que dói ninguém enxerga. Passa, a gente sente, e depois vai embora. E depois vem outro...e outro...e mais outro...
O que tenho dentro do meu peito é falta de ar. De repente meus órgãos ficaram suspensos e tudo se fez perdido.
As lágrimas caem dos meus olhos e engasgam em minha garganta. Tento falar, mas não consigo. Fiquei muda quando vi. Asfixiada, perdida. Sem chão.
Meu coração acelerado pede ar. Mas eu não consigo. Respiro fundo e não consigo. Parece que o que entra perde-se e não alcança meus pulmões, não encontra meu coração. Claro. Não consigo respirar ar suficiente para preencher tamanho vazio.
Fecho os olhos e vejo. Sim. É contraditório. Como eu. "Conhece-te a ti mesmo". Como eu queria meu querido Sócrates. Mas eu penso...penso...penso...e não chego a lugar algum. Até porque pensar não leva ninguém a lugar algum. Pensar deixa a gente parado, solitário, ausente.
Não quero me perder. Eu juro. Às vezes dá vontade de experimentar. Experimentar passar dias trancada no meu quarto na companhia dos meus livros, minhas músicas. E não ver ninguém. Não ouvir ninguém. Não sentir ninguém. Só eu. Eu e meus "eus". Esses que tanto me confundem e me fazem meter os pés pelas mãos.
"Saudade de você minha coisa linda", uma frase delicada não é? Pois para meu coração foi como uma bala silenciosa. Dói e ninguém ouve.
Desculpa. Eu amei.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Poeminha do consolo
Te perdôo pela falta de memória, por nunca lembrar de desligar as luzes.
Te perdôo por sempre rir quando falo sério, por não me ouvir quando, triste, conto minhas histórias.
Te perdôo por não ligar pra mim nunca, e por só dormir comigo quando necessitas.
Te perdôo pelas conversas no amanhecer quando chega da farra e não me deixa dormir.
Te perdôo por não me olhares nos olhos, por não me dares os ombros quando preciso.
Te perdôo pelos beijos e abraços de amigo que me dá e que me fazem, às vezes, sofrer.
Te perdôo por te dar carinho, por deitar ao seu lado e não tocar seu corpo.
Te perdôo quando choras por suas paixões, pelos lamentos das noites vazias.
Te perdôo pela minha solidão sufocante, pelo meu corpo casto.
Mas não te perdôo por me olhares de soslaio com desejo e me negares seu amor.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Nada
Vejo fotos, roupas, sorrisos, e onde estou agora?
Deitada numa cama tentando através dessas palavras arrancar de mim essa angústia que me queima por dentro, como se fossem mil facas quentes ferindo meu corpo.
Vejo os brinquedos, as lembranças e as cores, e onde estou agora?
Perdida num deserto onde não há nem areia para dar alguma vida.
Os ventos passam e nada carregam pra longe. Mas não há nada...
Não há nada que se sinta com alguma certeza, há apenas palavras soltas como bolhas de sabão.
Ouço a música, o silêncio, a respiração.
E onde estou agora?
Aqui. Nesta folha. É o que existe agora.
Eu. Somente eu. E mais nada que o valha.
domingo, 30 de novembro de 2008
Eles
Ela queria poder dizer a ele tudo o que está dando voltas dentro de si. Seu corpo inquieta-se quando sente seu cheiro, suas mãos perdem-se em meio a tantas palavras ditas em nenhuma ordem.
Ele não percebe, mas ela esforça-se a todo momento para esconder a verdade, não a falsa, a verdadeira verdade sobre seus sentimentos.
Tem medo de estragar toda a beleza que os envolvem, dissolver todo encanto que existe. Qualquer coisa que ela disser, poderá afastá-lo. Se ela disser a verdade, a verdadeira, o perderá. A outra verdade, a falsa, é que se amam como grande amigos.
Ela não quer perder as conversas saudáveis, as gargalhadas gostosas, as lamentações desnecessárias que, às vezes, a incomodam, mas é o que mantém ele perto dela.
Será que os outros têm razão quando dizem que eles são dois bons fingidores? Será que é tão óbvio assim, mas eles não conseguem enxergar? Mas do que eles estão fugindo? A quem eles estão enganado? Vá lá. De quem ela está fugindo, quem ela está enganando, o que ela quer...no singular.
Ela gostaria de poder fazer todas essas perguntas a ele. Embora deseje que nada mude nessa história.
"O que ela quer então?", vocês devem estar se perguntando. E eu lhes respondo: amar. Ela quer amar.
Só isso.
domingo, 9 de novembro de 2008
Desassossego
Faz calor no cômodo,
Destinado a ser meu quarto
Suor por todos os cantos
Palavras cansadas transpiram
Desesperadas
Paredes escorrendo
Derretendo os corpos impregnados
Por paixão
As mãos perdem-se lentamente
Disfarçam sentimentos e realidades
Os olhos murmuram cegos suspiros
Aos poucos vou adormecendo
Relaxando os sentidos
Vejo a cortina negra se fechando
Tateio o pano da cama e calo o sono
Encontrando a profunda solidão.
Palumbo Guedes e Iaiá Pereira.
Paredes da infância
Nos cantos do quarto os cupins consomem silenciosamente o sossedo da mãe recém parida.
Nos cabides, o vestido caipira queimado na barra pela fogueira, ao lado o chapéu de palha velho do avô que já não mais está para carregar no colo.
No porta retrat0, as palmas dos 15 anos ainda batem em cima da estante.
Nas gavetas, as roupas amarelas e azuis de bebê protejidas pela naftalina branca guardam a vida do filho que não veio.
Nas paredes cruas, a água escorre deixando além de cruas, pretas, as paredes nuas.
Em mim, o cheiro de café, a cadeira de balanço e o cantarolar dos pássaros.
Jardim da saudade
Quero viver aqui quando os anjos me abençoarem com o nobre destino.
Quero caminhar por entre nomes velhos e desconhecidos, sentir cada aroma exalado das cores.
Quero ouvir os ruídos dos passos calmos e pesados, das pás, das enchadas, dos relatos.
Quero falar com aqueles que não me ouvem, gritar o silêncio iluminado.
Quero pegar sem sentir,
Sentir sem ver,
Ver sem tocar.
Quero atravessar a ponte que liga o visível ao misterioso.
Quero, nada mais que...descanso.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Fuga...
Corria da chuva, ela, a senhorita respeitosa. Entrou afoita na livraria, molhada, cabelos com gotas de desejo. Olhou, folheou, olhou, pensou em comprar, mas desistiu. Foi ao banheiro. Abriu a porta, olhou-se no espelho, descabelada, de desejo. Sentou, fez o que deveria e à procura do branco achou algo que não esperava. Afoita, abriu, jorrou aquela água em suas partes que agora está molhada: de prazer.
domingo, 19 de outubro de 2008
Assobiar ou chupar cana
Querida Lena, não será a primeira nem a última!
Mas, me parece que sua aflição é desnecessária! Afinal, pelo que entendi, você não tem pais, não trabalha e vive isolada do mundo. Isso quer dizer que não tem ninguém pra te infernizar o juízo! Aliás, de onde vem essa história então? Enfim...
Outra coisa: mesmo que tivesse, vivemos no século XXI, pós-modernidade, tempo de descoberta científicas e era da liberdade individual e sexual. Ora, cada macaco no seu galho querida!
Porém, você há de concordar que mesmo com toda essa liberdade, é um tanto difícil conciliar esses sentimentos. Como você consegue pôr ordem nesses desejos tão quentes e inusitados!? Eu não saberia lidar!
E também, lembre-se que aquela que quase ruína, ascende novamente e está aí para inventar novas regras e revisar - impor - valores outros.
Então libertina amiga, vai ficar difícil assobiar e chupar cana ao mesmo tempo não é!?
Cuide-se e boa sorte!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
"Canção"
O homem

No palco era um desses grandiosos artistas. Vivo. Talentoso. Presente. Sentia-se implacável quando representava. Na vida, era um desses homens fracos. Tímido. Isolado. Trancava-se todas as tardes no seu quarto. Odiava o sucesso que não te pertencia. Aquele por quem mulheres atiravam-se aos gemidos queria que sua vida fosse uma. Mas, os dois não lhe cabiam.
Pequeno conto produzido baseado em "Um homem célebre" de Machado de Assis.
domingo, 5 de outubro de 2008
Elo

O prego na parede descascada agora pode ser visto.
O painel de fotos acumula a cada dia ímãs sem utilidade.
A porta ganha um espaço marrom indesejado.
A gaveta quebrada guarda a família feliz.
Em cima do armário, caixas, cartas, sonhos e bonecas se escondem.
As roupas já não estão mais no cesto.
A água já não poderá mais ser bebida em verde e preto.
As vozes já não cantam no mesmo ritmo. Outras desafinam profudamente.
Tudo muda. Tudo passa. Tudo cura. Nada...
E o vazio deixado por algo que, talvez, já não preenchia.
Talvez.
Essência

Sentindo a brisa refrescar o rosto e a melodia invadir os poros, lembro daquele que me faz essência. As antigas lembranças de conversas infindáveis recobrem minha mente como um manto quente numa noite fria. Cartas repletas de juras e a saudade de alguém que nunca tocou representam o desejo de viver um paixão jamais imaginada.
Os quilômetros que nos separam são apenas uma das formas de nos manter vivos e solitários no mundo particular de ilusões e fantasias. Essas milhares de ruas vão se diluindo diante da vontade louca que os corpos têm de se encontrarem.
Com o tempo pensávamos estar curados dessa sede de calor e abrigo, mas o desaparecimento das ruas nos fez ainda mais cúmplices e completos. Somos como o sol e a lua: dividimos o mesmo céu e os mesmos olhares.
Olhares: negros como o infinito e verdes como o nascimento.
O envolvimento dos corpos se confunde com a entrega das almas tão sensíveis e fortes.
De repente nos sentimos como criaturas inseparáveis, destinadas ao furor dos sentimentos que, em algum momento, se tornaram o combustível da vida.
E mesmo que ainda quilomêtros venham a nos separar, seremos para o outro: essência.
"Mas onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos. Esses é que são a essência viva da alma."
Goethe
domingo, 24 de agosto de 2008
Uma possibilidade...

Você realmente já amou uma mulher? Para realmente amar uma mulher, para compreendê-la, você precisa conhecê-la profundamente por dentro, ouvir cada pensamento, ver cada sonho e dar-lhe asas quando ela quiser voar. Então, quando você se achar repousando, desamparado nos braços dela, você saberá que realmente ama uma mulher... Quando você ama uma mulher você lhe diz que ela, realmente, é desejada. Quando você ama uma mulher você lhe diz que ela é a única, pois ela precisa de alguém para dizer-lhe que vai durar para sempre. Então diga-me: você realmente, realmente, realmente já amou uma mulher? Para realmente amar uma mulher deixe-a segurar você até que você saiba como ela precisa ser tocada, você precisa respirá-la, realmente saboreá-la até que você possa sentí-la em seu sangue. E quando você puder ver seus filhos que ainda não nasceram dentro dos olhos dela você saberá que realmente ama uma mulher você precisa dar-lhe um pouco de confiança, segurá-la bem apertado, um pouco de ternura, precisa tratá-la bem, ela estará perto de você, cuidando bem de você. Você realmente precisa amar uma mulher...Então, quando você se achar repousando, desamparado nos braços dela você saberá que realmente ama uma mulher...Então diga-me: você realmente, realmente realmente já amou uma mulher? Então diga-me: você realmente, realmente, realmente já amou uma mulher?
Have you ever really loved a woman?
Bryan Adams
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Escolha.

Hoje me permiti levantar da cama às 11h. Mas não porque eu tinha algum compromisso com algo ou alguém e queria não fazê-lo. Eu precisava me sentir despreocupada com alguma coisa. Ultimamente tenho apenas me preocupado: com as novas espinhas, com a falta de dinheiro, com a carta que não chega, com o amor que não liga...
Mas, ontem, algo inesperado aconteceu: uma pessoa que não falava há anos veio conversar comigo. A princípio eu não sabia quem era. Mas, como todo carente, me entreguei àquele que sabia apenas o nome. Ele, sem saber, salvara o meu dia. Dei muitas risadas, trocamos idéias, além de falar sobre nossa vida, claro! Não parecia que estivemos afastamos tamanha era a harmonia do diálogo. Meu humor logo melhorara.
E para curar uma gripe tomei um remédio que tinha como reações melhora do humor, agilidade mental e física, inibição de apetite e tagarelice! Tudo que eu precisava! E para me fazer dormir - pois a noite anterior passei em claro - minha mãe fez um forte suco de maracujá, estava uma delícia.
Depois de tudo isso fui dormir, ouvindo música como de costume e com o ventilador desligado - o que não é costume. Não me lembro o que eu sonhei, mas a sensação de bem-estar que senti quando acordei me fez ficar na cama pensando na vida, pensando no que eu tenho feito esses dias...o que eu tenho feito dos meus dias?
Uma amiga me disse que para toda perda há um ganho. Não sei se acaso ou destino, mas, perdi um sossego e ganhei alguns sorrisos. Gostaria de recuperar aquele sossego que está tão longe. E tentarei conservar esses sorrisos, afinal de contas, a gente nunca sabe o dia de amanhã.
A gripe está indo embora e espero que leve junto todas as preocupações. Exceto uma: o amor. Dizem que a esperança é a última que morre.
Um dia desses defenestro a minha.
Mas, ontem, algo inesperado aconteceu: uma pessoa que não falava há anos veio conversar comigo. A princípio eu não sabia quem era. Mas, como todo carente, me entreguei àquele que sabia apenas o nome. Ele, sem saber, salvara o meu dia. Dei muitas risadas, trocamos idéias, além de falar sobre nossa vida, claro! Não parecia que estivemos afastamos tamanha era a harmonia do diálogo. Meu humor logo melhorara.
E para curar uma gripe tomei um remédio que tinha como reações melhora do humor, agilidade mental e física, inibição de apetite e tagarelice! Tudo que eu precisava! E para me fazer dormir - pois a noite anterior passei em claro - minha mãe fez um forte suco de maracujá, estava uma delícia.
Depois de tudo isso fui dormir, ouvindo música como de costume e com o ventilador desligado - o que não é costume. Não me lembro o que eu sonhei, mas a sensação de bem-estar que senti quando acordei me fez ficar na cama pensando na vida, pensando no que eu tenho feito esses dias...o que eu tenho feito dos meus dias?
Uma amiga me disse que para toda perda há um ganho. Não sei se acaso ou destino, mas, perdi um sossego e ganhei alguns sorrisos. Gostaria de recuperar aquele sossego que está tão longe. E tentarei conservar esses sorrisos, afinal de contas, a gente nunca sabe o dia de amanhã.
A gripe está indo embora e espero que leve junto todas as preocupações. Exceto uma: o amor. Dizem que a esperança é a última que morre.
Um dia desses defenestro a minha.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
E tenho dito.

Incrível como os ladrões perderam a compostura (se é que em algum momento tiveram)! Hoje, andava de bicicleta na praça quando vi um reboliço de gente e uma mulher correndo. Dei meia volta e entrei em outra rua. A mulher entrou na mesma rua que eu, correndo aflita. Perguntei o que havia sucedido e ela me respondeu: "meu celular, levaram meu celular!". Mas será o benedito - diria minha avó. O sol estava quente, eram 12h. Mas não se pode mais andar tranquila na rua nem nas horas sagradas? E outra coisa: ela estava com a bolsa na mão. Gente! Estamos na era dos celulares mais baratos que um picolé Nestlé! Roubar um celular que pode ter custado R$ 1 é o cúmulo da descaração! Um homem que também estava de bicicleta saiu em direção à feira, onde o ladrão tinha entrado. A mulher continuava aflita, também em direção à feira. Será mesmo que um deles pensava em achar o tal? Àquela altura, o rapaz já tinha trocado de camisa, colocado um boné etc. E o celular? Certamente, já nas mãos de terceiros...quartos...quintos...
É uma sem-vergonhice. E tenho dito.
Ser

"Quem quer aprender a voar, precisa primeiro aprender a ficar de pé e a andar e a subir e dançar: a arte de voar não se aprende voando! Aquele que ensinar os homens a voar afastará todos os limites, batizará a terra de novo como A Leve. Quem quer se tornar leve e se transformar em pássaro deve se amar.
O homem é uma corda estendida entre a besta e o Super Homem - uma corda sobre o abismo. É perigoso passar de um lado ao outro, perigoso ficar no caminho, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.O que há de grande no homem é que ele é uma ponte e não um fim: o que se pode amar no homem é que ele é uma passagem e uma queda.
Por trás dos teus pensamentos e teus sentimentos, irmão, há um soberano possante e um sábio desconhecido. Ele mora no teu corpo, é teu corpo.
Há mais razão no teu corpo que na tua melhor sabedoria. Há sempre um pouco de loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.
E mesmo eu, que estou voltado para a vida, acho que as borboletas, as bolhas de sabão e o que se assemelha a elas entre os homens são o que melhor conhece a felicidade.
Ver voar essas alminhas leves, loucas, graciosas e móveis - isso dá a Zaratustra vontade de chorar e cantar.Eu não poderia acreditar num deus que não soubesse dançar. Agora sou leve, agora vôo, agora me vejo abaixo de mim mesmo, agora um deus dança através de mim.
Estou agora diante do meu último cume. Tenho diante de mim meu caminho mais duro. Começo minha corrida mais solitária. Acima da tua cabeça e além do teu coração. Agora a coisa mais doce em ti deve se tornar a mais dura.
Precisas subir andando sobre ti. Mais alto, mais alto até que as estrelas fiquem lá embaixo.
O belo corpo vitorioso em torno do qual tudo se transforma em espelho.O corpo ágil, o dançarino cujo símbolo é alma feliz consigo mesma.
Toda alegria quer a eternidade, a profunda, profunda eternidade.
Assim fala a sabedoria do pássaro: Não há alto nem baixo. Lança-te para todos os lados, para frente, para trás, homem leve. Não fala mais. Canta."
Texto de F. Nietzsche, Assim Falava Zaratustra.
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