quarta-feira, 30 de julho de 2008

Escolha.




Hoje me permiti levantar da cama às 11h. Mas não porque eu tinha algum compromisso com algo ou alguém e queria não fazê-lo. Eu precisava me sentir despreocupada com alguma coisa. Ultimamente tenho apenas me preocupado: com as novas espinhas, com a falta de dinheiro, com a carta que não chega, com o amor que não liga...
Mas, ontem, algo inesperado aconteceu: uma pessoa que não falava há anos veio conversar comigo. A princípio eu não sabia quem era. Mas, como todo carente, me entreguei àquele que sabia apenas o nome. Ele, sem saber, salvara o meu dia. Dei muitas risadas, trocamos idéias, além de falar sobre nossa vida, claro! Não parecia que estivemos afastamos tamanha era a harmonia do diálogo. Meu humor logo melhorara.
E para curar uma gripe tomei um remédio que tinha como reações melhora do humor, agilidade mental e física, inibição de apetite e tagarelice! Tudo que eu precisava! E para me fazer dormir - pois a noite anterior passei em claro - minha mãe fez um forte suco de maracujá, estava uma delícia.
Depois de tudo isso fui dormir, ouvindo música como de costume e com o ventilador desligado - o que não é costume. Não me lembro o que eu sonhei, mas a sensação de bem-estar que senti quando acordei me fez ficar na cama pensando na vida, pensando no que eu tenho feito esses dias...o que eu tenho feito dos meus dias?
Uma amiga me disse que para toda perda há um ganho. Não sei se acaso ou destino, mas, perdi um sossego e ganhei alguns sorrisos. Gostaria de recuperar aquele sossego que está tão longe. E tentarei conservar esses sorrisos, afinal de contas, a gente nunca sabe o dia de amanhã.
A gripe está indo embora e espero que leve junto todas as preocupações. Exceto uma: o amor. Dizem que a esperança é a última que morre.
Um dia desses defenestro a minha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

E tenho dito.


Incrível como os ladrões perderam a compostura (se é que em algum momento tiveram)! Hoje, andava de bicicleta na praça quando vi um reboliço de gente e uma mulher correndo. Dei meia volta e entrei em outra rua. A mulher entrou na mesma rua que eu, correndo aflita. Perguntei o que havia sucedido e ela me respondeu: "meu celular, levaram meu celular!". Mas será o benedito - diria minha avó. O sol estava quente, eram 12h. Mas não se pode mais andar tranquila na rua nem nas horas sagradas? E outra coisa: ela estava com a bolsa na mão. Gente! Estamos na era dos celulares mais baratos que um picolé Nestlé! Roubar um celular que pode ter custado R$ 1 é o cúmulo da descaração! Um homem que também estava de bicicleta saiu em direção à feira, onde o ladrão tinha entrado. A mulher continuava aflita, também em direção à feira. Será mesmo que um deles pensava em achar o tal? Àquela altura, o rapaz já tinha trocado de camisa, colocado um boné etc. E o celular? Certamente, já nas mãos de terceiros...quartos...quintos...

É uma sem-vergonhice. E tenho dito.

Ser




"Quem quer aprender a voar, precisa primeiro aprender a ficar de pé e a andar e a subir e dançar: a arte de voar não se aprende voando! Aquele que ensinar os homens a voar afastará todos os limites, batizará a terra de novo como A Leve. Quem quer se tornar leve e se transformar em pássaro deve se amar.


O homem é uma corda estendida entre a besta e o Super Homem - uma corda sobre o abismo. É perigoso passar de um lado ao outro, perigoso ficar no caminho, perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar.O que há de grande no homem é que ele é uma ponte e não um fim: o que se pode amar no homem é que ele é uma passagem e uma queda.


Por trás dos teus pensamentos e teus sentimentos, irmão, há um soberano possante e um sábio desconhecido. Ele mora no teu corpo, é teu corpo.


Há mais razão no teu corpo que na tua melhor sabedoria. Há sempre um pouco de loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.


E mesmo eu, que estou voltado para a vida, acho que as borboletas, as bolhas de sabão e o que se assemelha a elas entre os homens são o que melhor conhece a felicidade.


Ver voar essas alminhas leves, loucas, graciosas e móveis - isso dá a Zaratustra vontade de chorar e cantar.Eu não poderia acreditar num deus que não soubesse dançar. Agora sou leve, agora vôo, agora me vejo abaixo de mim mesmo, agora um deus dança através de mim.


Estou agora diante do meu último cume. Tenho diante de mim meu caminho mais duro. Começo minha corrida mais solitária. Acima da tua cabeça e além do teu coração. Agora a coisa mais doce em ti deve se tornar a mais dura.


Precisas subir andando sobre ti. Mais alto, mais alto até que as estrelas fiquem lá embaixo.


O belo corpo vitorioso em torno do qual tudo se transforma em espelho.O corpo ágil, o dançarino cujo símbolo é alma feliz consigo mesma.


Toda alegria quer a eternidade, a profunda, profunda eternidade.


Assim fala a sabedoria do pássaro: Não há alto nem baixo. Lança-te para todos os lados, para frente, para trás, homem leve. Não fala mais. Canta."


Texto de F. Nietzsche, Assim Falava Zaratustra.