domingo, 5 de outubro de 2008

Essência




Sentindo a brisa refrescar o rosto e a melodia invadir os poros, lembro daquele que me faz essência. As antigas lembranças de conversas infindáveis recobrem minha mente como um manto quente numa noite fria. Cartas repletas de juras e a saudade de alguém que nunca tocou representam o desejo de viver um paixão jamais imaginada.

Os quilômetros que nos separam são apenas uma das formas de nos manter vivos e solitários no mundo particular de ilusões e fantasias. Essas milhares de ruas vão se diluindo diante da vontade louca que os corpos têm de se encontrarem.


Com o tempo pensávamos estar curados dessa sede de calor e abrigo, mas o desaparecimento das ruas nos fez ainda mais cúmplices e completos. Somos como o sol e a lua: dividimos o mesmo céu e os mesmos olhares.

Olhares: negros como o infinito e verdes como o nascimento.

O envolvimento dos corpos se confunde com a entrega das almas tão sensíveis e fortes.


De repente nos sentimos como criaturas inseparáveis, destinadas ao furor dos sentimentos que, em algum momento, se tornaram o combustível da vida.


E mesmo que ainda quilomêtros venham a nos separar, seremos para o outro: essência.

"Mas onde se deve procurar a liberdade é nos sentimentos. Esses é que são a essência viva da alma."
Goethe

Um comentário:

Bruna Rocha disse...

Estonteante. Perfeito.