domingo, 5 de outubro de 2008

Elo



O prego na parede descascada agora pode ser visto.
O painel de fotos acumula a cada dia ímãs sem utilidade.
A porta ganha um espaço marrom indesejado.
A gaveta quebrada guarda a família feliz.
Em cima do armário, caixas, cartas, sonhos e bonecas se escondem.
As roupas já não estão mais no cesto.
A água já não poderá mais ser bebida em verde e preto.
As vozes já não cantam no mesmo ritmo. Outras desafinam profudamente.
Tudo muda. Tudo passa. Tudo cura. Nada...

E o vazio deixado por algo que, talvez, já não preenchia.

Talvez.

2 comentários:

Bruna Rocha disse...

E o vazio deixado por algo que já não preenchia.

É sempre assim.
Sempre.
Com exceção da morte, que tira sem perguntar e sem se preocupar com a lacuna que vai deixar.

Monique disse...

"Eu apenas queria que você soubesse
que aquela alegria ainda está comigo e que a minha ternura não ficou na estrada não ficou no tempo presa na poeira..."

;)