domingo, 9 de novembro de 2008

Paredes da infância


Nos cantos do quarto os cupins consomem silenciosamente o sossedo da mãe recém parida.

Nos cabides, o vestido caipira queimado na barra pela fogueira, ao lado o chapéu de palha velho do avô que já não mais está para carregar no colo.

No porta retrat0, as palmas dos 15 anos ainda batem em cima da estante.

Nas gavetas, as roupas amarelas e azuis de bebê protejidas pela naftalina branca guardam a vida do filho que não veio.

Nas paredes cruas, a água escorre deixando além de cruas, pretas, as paredes nuas.

Em mim, o cheiro de café, a cadeira de balanço e o cantarolar dos pássaros.

Um comentário:

Empoemamento disse...

Bravos.



Muito bonito!


Beijos vermelhos,


ChicO.