terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Nada


Vejo fotos, roupas, sorrisos, e onde estou agora?

Deitada numa cama tentando através dessas palavras arrancar de mim essa angústia que me queima por dentro, como se fossem mil facas quentes ferindo meu corpo.

Vejo os brinquedos, as lembranças e as cores, e onde estou agora?
Perdida num deserto onde não há nem areia para dar alguma vida.
Os ventos passam e nada carregam pra longe. Mas não há nada...
Não há nada que se sinta com alguma certeza, há apenas palavras soltas como bolhas de sabão.

Ouço a música, o silêncio, a respiração.
E onde estou agora?
Aqui. Nesta folha. É o que existe agora.
Eu. Somente eu. E mais nada que o valha.

4 comentários:

Anônimo disse...

E porque não vamos tomar umas?

Poetinha Feia disse...

Que texto lindo!!!

Poético, recheado de sensibilidade e ao mesmo tempo forte.

"... há apenas palavras soltas como bolhas de sabão..."

Quanta delicadeza nesse verso!

Não ter certeza do que sentimos, realmente, causa uma aflição, uma angústia. Esses momentos são importantes, depois percebemos o quanto.

Amei sua visita ao meu blog e suas palavras!!

Estou encantada com seu espaço.

Bjos

Até mais...

Bruna Rocha disse...

Tira essa mil facas do teu corpo ...

Empoemamento disse...

Há tanta angustia que chega a ser bonito sofrer.


Você acaba de fazer o sofrivel belo.

Mas não devemos sofrer tanto, só de vez em quando, para que a alegria não se sinta soberana.

E soberania é sempre um meio de repressão. Assim, nossa tristeza também, não pode ser tão absoluta. Há de se dar vazão a outras coisas... Outras emoções.

Sejamos tristes e felizes na medida inexata desses sentimentos ou, nem alegre nem triste, Poeta como gosta a cecília!


Beijos vermelhos...



ChicO.